Quando eu fiz o ENEM

Posted in Aleatórios
on November 11, 2017

Por mais que eu já tenha passado dessa fase da minha vida, eu não poderia esquecer de quem me acompanha e fez a prova, né? Então eu decidi relembrar como foi a minha época de vestibular, como foi a minha vida acadêmica e o que eu aprendi.

Acho que todos nós concordamos que não é a melhor maneira de estipular se a pessoa é apta ou não pra entrar em uma faculdade – até porque o ensino nas escolas não é igualitário -, mas infelizmente, se você quer fazer algum curso, você é obrigado a estudar e fazer a prova. É apenas mais uma maneira de tentar encaixar as pessoas em caixas e criar regras. Eu sempre falo que é um daqueles compromissos sociais que as pessoas falam que você TEM que fazer, que nem casamento ou tirar carteira de motorista.

Eu sei que quando estamos nessa idade sofremos uma pressão social muito forte pra decidirmos logo o que fazer da nossa vida. E já não basta ter que escolher uma profissão, também temos que passar por uma prova com um peso psicológico daqueles, como se anos de escola pudessem ser medidos em dois dias.

Eu gosto de olhar pra prova do ENEM como uma maneira de mostrar pra você que é capaz de ter responsabilidade, que é algo que você vai ter que ter na sua vida adulta. Porque se você tem o objetivo de entrar em uma universidade, o ENEM vai te ajudar a chegar lá, então não tem como evitá-lo.

Mas o mais importante é não ir tenso e ansioso, porque a sua vida não precisa ser decidida agora, entende? Não é agora, com 17 ou 22 anos que você tem que fazer tudo certinho igual todo mundo faz. Tudo tem o seu tempo, da sua maneira.

Com 18 anos você tem que se encaixar no modelo “passei na faculdade e estou fazendo o curso que deveria fazer”, mas quando você forma você tem que se encaixar no modelo “estou formado e tenho um emprego estável, renda fixa, apartamento, tirei carteira e namoro há 3 anos o amor da minha vida”. Ou seja, as pessoas sempre vão cobrar uma coisa de você, independente da sua idade.

E se as coisas são assim, por que se preocupar tanto agora? Não estou falando pra você largar tudo e não se preocupar, é entender que você tem que fazer o que pode com o que tem no momento. Nessa fase você está se descobrindo e animado pro que vem pela frente. Existem tantas possibilidades, às vezes você vai ficar estressado com essa prova e daqui um ano vai decidir que quer outra coisa.

Quando eu fiz o ENEM eu estava muito ansiosa. Eu mal dormi. Eu fiquei um ano no cursinho e detestava, de verdade. Fiz amigos que tenho até hoje, mas estudava muito, o dia todo. Eu tinha muita dificuldade nas matérias de exatas, tipo física, que é um negócio que até hoje eu não entendo direito. Mas escrevia redações de olhos fechados. Hoje eu teria focado mais nas matérias que eu sou boa e que eram da minha área. E te digo uma coisa: a gente SEMPRE sabe as respostas, mas muitas vezes ficamos tão ansiosos e desesperados que não deixamos a mente vazia pra resposta chegar.

Eu lembro que eu fiz primeiro as questões que eu sabia que era boa, que no caso eram as de humanas, e deixei as difíceis pra depois. Se eu não entendia alguma pergunta, eu pulava e respondia no final. As que eu não sabia a resposta, eu fazia aquela famosa reza e marcava a letra que vinha na minha cabeça. Se deu certo, eu não sei, mas eu não queria mais me cobrar tanto. Eu fiz o melhor que pude. Engraçado que hoje, anos depois, eu não falaria que poderia ter estudado mais. Eu acho que estudei o suficiente e que tudo aconteceu do jeito que tinha que ser.

Eu tinha tudo pra ser o modelo bonito pra minha família, porque a vida toda eu tirei as melhores notas e ganhava prêmios. Era como se eu tivesse sido preparada pra ser médica ou advogada. Eu fiz vestibular pra direito duas vezes. Não passei na federal, minha nota era muito boa, mas não o suficiente pra entrar. Eu fiquei muito frustrada, mas hoje eu vejo que nunca seria advogada. E se eu tivesse feito jornalismo na faculdade que eu tentei, eu não teria a mesma experiência universitária que eu tive, que foi maravilhosa.

Depois eu formei e fiz o quê? Criei meu próprio negócio ao invés de trabalhar para alguma empresa e ter um emprego estável. Mais uma vez, não segui os outros. Mas sofri muito por isso, não nego. É difícil ser diferente, mas é muito bom se assumir.

O que eu quero dizer é que tem muita coisa pra ser vivida ainda. Não faça de uma prova o fim do seu mundo, você ainda vai aprender muitas coisas. Vai com calma, dê o seu melhor e boa sorte, que eu estou torcendo pra você!

 

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